sábado, julho 09, 2016

A bagagem é tanta...

... E eu já não sei bem o que fazer.
Quero mostrar-te que tinhas razão, que tudo o que me disseste, que todas as frases motivacionais, todos os «nós conseguimos, nós conseguimos sempre», todos os «já chegamos até aqui» foram - e são - suficientes. Quero manter sempre aceso na tua mente que Veneza foi o nosso elo de ligação, o que nos uniu, o que nos tornou fortes. Quero sentir-te confiante comigo - outra vez - mas como sentir tal coisa se tudo o que eu faço é não sentir?
Como seguir em frente se o sentimento que me consumiu quando te disse a primeira vez aquele «estás a falar a sério?», naquela chuvosa noite de Novembro, à luz de um simples foco de luz, me rumina a mente sempre que penso em ti?
Como seguir em frente se a tristeza que se apoderou de mim quando te beijei pela última vez ao entrar naquele autocarro em Veneza, numa noite fria de Novembro, um ano depois, à luz de um simples foco de luz, não me deixa dormir à noite?
Como seguir em frente se fico presa à paixão do passado?

Quero que me olhes nos olhos outra vez. Quero que esperes por mim no aeroporto outra vez. Quero que me abraces com as mãos a tremer outra vez. Quero que voltes a olhar para mim como se fosse a primeira vez outra vez. Quero perder-me nas ruelas de uma cidade, contigo, outra vez. Quero reclamar que a água é demasiado cara e quero que me digas tem calma, panda, outra vez. Quero jantar em cima da cama, contigo, outra vez. Quero obrigar-te a comer hortícolas outra vez. Quero que me adormeças com mimos infinitos outra vez. Quero que olhes para mim com lágrimas nos olhos outra vez. Quero sentir-te a cem por cento outra vez. Quero tudo... Outra vez.
Quero não discutir contigo três dias seguidos outra vez. Quero Veneza, mas quero-te a ti nela... Porque se um dia tiver de voltar e não estiveres lá à minha espera, com um embrulho improvisado de cremes corporais com cheiro a nostalgia, e com as mãos a tremer, eu vou procurar-te! E eu vou encontrar-te! E vou perguntar-te onde estiveste este tempo todo... Porque o teu lugar pertence a Veneza e tu não estavas lá quando devias estar, à porta daquele minúsculo aeroporto no meio de nenhures, com lágrimas nos olhos e mãos a tremer, pronto para me receber. Porque o teu lugar pertence a Veneza e o meu coração pertence-te a ti.

A bagagem é tanta. Sim, é... Mas a nossa história consegue ser ainda maior.