segunda-feira, junho 25, 2012

«O meu maior medo»

A Inês do «Palavras Só Minhas» iniciou um desafio no blog dela. O objectivo é escrever um texto - grande ou pequeno - sobre um determinado tema, à escolha dela.
Desta vez, o tema é «O meu maior medo» e eu vou participar. Não porque, simplesmente, sim (e porque prometi-lhe que participava (:  ), mas porque achei que este tema se adequa perfeitamente à minha situação este ano.
Este ano fui guiada pelo meu medo; o meu «medo principal», aquele que manda nos medos todos mais pequenos, e é disso que vou falar neste post.



O meu maior medo é o de não ser suficientemente boa.
Quando digo isto a certas pessoas expressões como «Que tolice!» saem-lhes da boca. Não é tolice nenhuma. É um medo como qualquer outro; como o medo de ficar sozinha, como o medo de ter um vida monótona, ou como o medo de não ser amada.
Foi somente este ano que descobri que era esta a minha fraqueza. E descobri-a porque li um livro sobre medos numa altura muito má, no início deste ano; altura essa que não desisti de tudo, da minha própria vida inclusive, porque alguém me disse, mais-ou-menos, aquilo que está escrito na imagem - passo a citar «Things will get easier, people's minds will change, and you should be alive to see it.».
Pensei mesmo em tirar-me o privilégio de viver. Por muito ridículo e dramático que possa parecer, o momento em que não decidi optar pelo caminho mais fácil, pelo pior caminho, foi um pequeno espaço de tempo que nunca vou esquecer. Nessa altura eu tinha outro blog e eliminei-o. Eliminei todos os posts, um por um, enquanto pensava no que ia fazer a partir dali. Tinha aquele espaço há bastante tempo para perder uma noite a ler todas as palavras que tinha escrito, e a apagá-las. Uma por uma.
Depois, li esse livro sobre os medos e, isso acrescentado à acumulação de outros acontecimentos, levaram-me a seguir outro caminho. Foi aí que a minha mãe já não sabia o que fazer comigo. As pessoas têm diferentes formas de demonstrar mau estar. Umas choras, outras gritam, outras preferem fumar, beber... Eu isolo-me. Isolo-me de tal maneira que posso chegar a ficar dois dias sem abrir a boca. Nessa altura, a minha mãe levou-me pela primeira vez à psicóloga.

E porquê, perguntam agora vocês. Porque este ano é determinante para o meu futuro; para o que eu vou estar a fazer durante uma vida. Porque tudo o que eu fazia saía-me mal. Porque eu, algures pelo caminho, deixei de acreditar em mim mesma. Porque descobri que o mundo não é um lugar cor de rosa, com árvores verdes, pássaros amarelos e sapatinhos de ponta. É, pelo contrário, um sítio com injustiças tremendas, capazes de abalar uma mente ainda pura.
Ensinam-nos que quando nos esforçamos o céu é o limite; alcançamos tudo se trabalharmos para isso. Pois bem, eu tenho necessidade de ser suficientemente boa em tudo o que faço. Sempre fui assim, e não me orgulho, porque se até agora me trouxe recompensas, no presente o mesmo não se sucede. Não vou deixar de ser assim, mas estou a tentar atenuar esta minha forma de agir. Porque este ano esforcei-me muito, e não vi resultados. Agradeço, sinceramente, à minha mãe pelo facto de me ter levado à psicóloga; melhorei imenso desde essa altura.
E foi aí que não reabri o meu antigo blog, mas criei um novo e não podia estar melhor.
A verdade é que somos nós que fazemos com que o mundo seja ou não seja um sonho de menina ou um inferno total. Admito que aprendi da pior forma, mas agora sei que não posso dar passos maiores do que as minhas pernas. Eu tenho necessidade de ser boa em tudo o que faço e este ano descobri que não sou necessariamente boa em tudo. Não é um medo estúpido, é um medo que partilho com o meu irmão, e que juntos vamos ultrapassar. Se aprendi algo nestes últimos meses é que podemos contornar certos obstáculos. E este texto podia fluir e fluir e fluir ainda mais, porque este assunto já deu que falar na minha vida e as histórias são mirabolantes, mas não quero que a Inês se canse a lê-lo. (:



7 comentários:

Cristiana Martins disse...

"Porque eu, algures pelo caminho, deixei de acreditar em mim mesma. Porque descobri que o mundo não é um lugar cor de rosa. É, pelo contrário, um sítio com injustiças tremendas, capazes de abalar uma mente ainda pura."

Aquele estranho momento em que te identificas totalmente nas palavras dos outros :)

- Dii - disse...

o post que do principio ao fim o teu cerebro diz: "Yahhh, mesmo istoo! ahh concordo! Exactooo! Como é possivel? hum hum... Ohhh" ;P

Digamos que este rapazinho é muito apetecível ;P

Eu sou uma revoltada hahah não nem por isso mas o orgulho é uma mais valia nestas coisas

Carolina disse...

É um medo que também faz parte de mim... O de não ser suficiente :s

Ju disse...

Esse medo também é mau... É estranho... Quanto mais fazemos, mais queremos fazer! Temos de pensar que não somos perfeitas e que também podemos errar... Levar as coisas com mais calma e, acima de tudo, ser feliz! (:

Filipa Santos disse...

O quanto te compreendo...
"Pois bem, eu tenho necessidade de ser suficientemente boa em tudo o que faço." Eu também sou assim, sou perfeccionista e tenho sempre que ser boa em tudo. Quando há alguém melhor sinto-me em baixo e tento melhorar!
Já agora, gosto do teu texto ;)

Ana disse...

Eu também tenho esse medo, mas não podes deixar que ele te domine. Ainda bem que já te encontras melhor :)

Misa disse...

Identifiquei-me. O tempo tem-me ensinado algumas coisas. Espero que também te ajude da melhor forma =)